A astronomia paraibana acaba de conquistar mais um importante reconhecimento internacional. Uma fotografia produzida em Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, pelo astrônomo amador Nyêrdson Ferreira, foi escolhida para ilustrar a tradicional Astronomy Picture of the Day (APOD), iniciativa da NASA que, há três décadas, destaca diariamente algumas das imagens astronômicas mais impressionantes produzidas no mundo. A seleção é considerada uma das maiores distinções para astrofotógrafos profissionais e amadores.

A imagem, registrada em 28 de junho de 2026, revela uma belíssima visão da região do Mar da Tranquilidade e do Mar da Serenidade, explorando as sutis diferenças de coloração da superfície lunar. O resultado é conhecido como “Lua mineral”, técnica que realça diferenças reais na composição química do solo da Lua. Regiões mais azuladas indicam maior concentração de titânio, enquanto áreas em tons mais amarronzados possuem composição distinta.
O autor conta que sua paixão pela astronomia começou ainda na infância. “Nos primeiros anos do ensino fundamental, eu adorava a parte dos livros de Ciências que falava sobre o Sistema Solar. A Lua sempre foi o alvo mais fácil para os meus olhos e despertou um fascínio que nunca mais passou”, lembra. Em 2022, adquiriu seu primeiro telescópio e, desde então, passou a dedicar incontáveis horas ao estudo e à fotografia lunar.
Segundo ele, a escolha dessa região da Lua foi intencional. “Os mares lunares escondem algo especial. Quando aumentamos a saturação das cores durante o processamento, conseguimos revelar diferenças de tonalidade causadas pelos minerais presentes na superfície. O Mar da Tranquilidade, onde pousou a Apollo 11, apresenta uma coloração azulada devido à maior concentração de titânio, contrastando fortemente com o Mar da Serenidade. O resultado é simplesmente fascinante.”
A publicação da fotografia na APOD representa a realização de um sonho cultivado durante anos. “Já havia enviado diversas imagens para a NASA, mas nenhuma havia sido selecionada. Nunca desisti, porque sempre acreditei que um dia conseguiria. Ser escolhido pela maior agência espacial do mundo, mostrando justamente o local onde ocorreu o maior feito da humanidade, não tem preço”, afirma emocionado.
A imagem foi obtida em Cajazeiras (PB) utilizando um telescópio newtoniano de 254 mm f/4,7 GoTo e uma câmera planetária Uranus C, demonstrando que dedicação, conhecimento técnico e perseverança podem colocar um astrônomo amador brasileiro entre os maiores destaques mundiais da astrofotografia.
Explicação publicada pela NASA
Juntamente com a foto de Nyêrdson, a NASA publicou uma breve explanação produzida por seus astrônomos. Segue uma tradução do texto original:
Os Mares da Tranquilidade e da Serenidade estão calmos hoje. Na verdade, estão calmos praticamente todos os dias, pois são mares lunares, antigos derrames de lava que preencheram grandes bacias de impacto na superfície da Lua. Conhecidos por seus nomes em latim, Mare Tranquillitatis (à direita) e Mare Serenitatis, esses “mares” escuros e de superfície lisa contrastam fortemente com as regiões elevadas, claras e repletas de crateras que os cercam, como mostra esta imagem telescópica. Naturalmente, seus nomes têm origem nas designações históricas atribuídas antes da invenção do telescópio. Facilmente visíveis a olho nu, essas extensas formações da face voltada para a Terra levaram os antigos observadores a imaginá-las como grandes oceanos, semelhantes aos existentes em nosso planeta. Em 20 de julho de 1969, o módulo lunar Eagle, da missão Apollo 11, pousou no Mare Tranquillitatis (na parte inferior direita da imagem), estabelecendo a Base da Tranquilidade e marcando a primeira presença humana na superfície da Lua.

