Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko Sobre João Pessoa

Fotomontagem mostrando o cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko sobre a cidade de João Pessoa, PB

Fotomontagem mostrando o cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko sobre a cidade de João Pessoa, PB

Que estranho objeto é esse sobre a cidade de João Pessoa? Para os que ainda não o conhecem, este é o cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko (estranho mesmo é o nome, não é?). Apesar de pouco conhecido até este ano, esta enorme pedra de gelo e poeira se tornou uma celebridade entre astrônomos e amantes da astronomia. Ela passou a ser o primeiro cometa a ser orbitado por uma sonda espacial, abrindo um novo capítulo para a exploração do sistema solar pelo homem. A Rosetta, lançada pela ESA – Agência Espacial Europeia em 2004, chegou ao cometa no último dia 06 de agosto, a cerca de 405 milhões de quilômetros da Terra. Desde o período de aproximação, a sonda vem enviando imagens fantásticas e intrigantes do seu alvo, o 67P/Churyumov–Gerasimenko. Uma delas, foi a imagem usada nessa fotomontagem, feita a cerca de 285 Km do núcleo cometário. Na composição acima, produzida pela APA – Associação Paraibana de Astronomia, o cometa foi cuidadosamente colocado sobre uma foto real da cidade de João Pessoa, de forma a manter as proporções reais do 67P/Churyumov–Gerasimenko, que tem cerca de 4Km de diâmetro. Evidentemente que a natureza, se resolvesse promover esse encontro (de um cometa de cerca de 10 bilhões de toneladas com uma cidade), não teria tanto cuidado assim, e certamente o resultado seria devastador para o planeta e para o cometa também.

Foto feita pela sonda Rosetta a cerca de 100 Km do cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko

Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko

O cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko foi descoberto em 1969 pelo astrônomo Klim Churyumov analisando fotos captadas por sua colega Svetlana Gerasimenko, ambos de Kiev na antiga União Soviética. Devido ao estranho hábito que os russos tem de dar nomes complicados aos seus filhos, esse cometa, que herdou os sobrenomes dos seus descobridores, ganhou essa denominação incrivelmente difícil de se escrever e mais difícil ainda de se pronunciar.
67P/Churyumov–Gerasimenko é um cometa originário do Cinturão de Kuiper, uma região além da órbita de Netuno repleta de pequenos corpos celestes compostos de gelo e poeira. Mesmo vindo de tão longe, ele possui um período orbital muito curto. Leva 6 anos e meio para completar uma volta ao redor do Sol, orbitando entre as órbitas de Júpiter e da Terra. Análises da evolução orbital mostram que sua órbita já foi maior e mais demorada. Calcula-se que antes de 1840, seu periélio (momento de maior aproximacão do Sol) era cerca de 4,0 AU (1 AU equivale a distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 600 milhões de Km). A essa distância, o cometa não evapora e não forma a calda, por isso, fica difícil de se observá-lo a olho nu da Terra. Em 1840 e 1959, ele passou muito perto de Júpiter, e a imensa força gravitacional do planeta desviou a trajetória do cometa fazendo com que sua órbita se aproximasse do Sol. Desde 1959, mantém uma órbita relativamente estável, com periélio a cerca de 1,24 AU.

Com a chegada da sonda espacial Rosetta ao cometa, as descobertas acerca do 67P/Churyumov–Gerasimenko estão apenas começando. Já nas primeiras imagens do seu núcleo, percebeu-se que o cometa possuia um formato incomum. Sua forma é composta por dois segmentos distintos unidos por um “pescoço”, formando uma aparência semelhante a um pato de borracha.

Animação mostrando a aproximação da sonda Rosetta ao Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko

Chegada da sonda Rosetta ao Cometa

Durante as primeiras seis semanas, a sonda Roseta irá acompanhar o cometa em uma órbita controlada e triangular, primeiro a 100 Km, e depois a 50 Km do núcleo. A essa distância, a Rosetta ira utilizar um conjunto de instrumentos para fazer uma série de análises científicas e mapear a superfície do cometa. Esses estudos devem permitir que a sonda se aproxime ainda mais para cerca de 30 Km do núcleo. E se tudo der certo, poderá lançar o módulo Philae, projetado para pousar e caminhar na superfície do cometa. O pouso do módulo Philae está planejado inicialmente para o dia 11 de novembro, mas a data só será confirmada em função das análises feitas durante os primeiros meses orbitando o cometa.

composição de imagens mostrando a sonda Rosetta em órbita do cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko

Sonda Rosetta em órbita do cometa

“Ao longo dos próximos meses, além de caracterizar o núcleo do cometa e definir o passo para o resto da missão, começaremos os preparativos finais para mais um feito histórico – pousar na superfície de um cometa”, disse Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta.
Enquanto o mundo científico aguarda anciosamente por esse dia, dezenas de fotomontagens como essa acima estão circulando pela internet. Como ainda não é possível visitarmos pessoalmente um cometa, damos um jeito de trazê-lo para perto de nós.

Para saber mais:

http://www.esa.int/Our_Activities/Space_Science/Rosetta
http://cometography.com/pcomets/067p.html
http://sci.esa.int/rosetta/14615-comet-67p/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *